Não há quem, no mais ideal dos mundos, escolha ser sozinho. Há quem goste (ou digamos que todos nós precisamos) vez ou outra, de estar a sós. Mas o fato é que “ser” e “estar” são verbos diferentes! O primeiro é definitivo. “Ser sozinho” é quase um veredicto. Um peso ao qual o indivíduo está, para sempre, atado. Enquanto isso, “estar sozinho” é um ato passageiro e até necessário dentro do roteiro maior de uma vida.
As pessoas chegam a proclamar que preferem viver a sós, mas elas se esquecem de descrever a situação inteira, tal como ela é: o que elas na verdade estão dizendo é que, na falta de uma companhia apropriada, de uma presença desejavelmente boa, de algo que acrescente e que lhe faça bem, então sim: “antes só do que mal acompanhado”.
No caso de existir a “companhia perfeita”, aquele parceiro confiável que traga segurança e paz, aquele amigo fiel com o qual contar, a amiga sincera de longa data ou um familiar generoso que se dispõe quando você dele necessita, então é quase impossível preferir viver sem tais presenças confortadoras.
E aí entra em cena… o câncer. Para agravar a necessidade. O tratamento; as sessões brutais de quimioterapia e as horas que as sucedem; os remédios que roubam o vigor físico; a insegurança por causa da transformação da aparência; a mudança de rotina e tudo que os pacientes bem conhecem.
Como passar por tais etapas, quando a solidão não é uma escolha, mas uma condição de vida? Condição, por exemplo, dos solteiros cujos pais já não estão mais presentes e os amigos estão geograficamente distantes? De viúvos sem filhos? De jovens órfãos, ou mesmo de pessoas que estão rodeadas de família e “amigos”, mas que foram desapontadas pela indisposição de ambos?
O remédio está em construir novos laços. Procurar ajuda. Abrir-se!
Ir a ambientes onde, provavelmente, pessoas generosas e acolhedoras se encontram. Poderá ser um grupo qualquer da igreja, a casa de um vizinho de boa fé, ligações à distância para amigos e conhecidos de longa data com quem você não fala há muito tempo, e, ademais, com as vantagens da vida moderna, abrem-se as possibilidades dos grupos de apoio pelas redes sociais: fóruns do Facebook onde se partilham histórias, encontros online onde se trocam experiências e conselhos, ou sites (como esse aqui!) que conectam as histórias dos pacientes!
O que eu digo hoje é bem simples, pessoal: não percam as esperanças de encontrar apoio emocional, e até mesmo material: o mundo é catótico, mas ainda está cheio de boas pessoas, inspiradas e tocadas pelo Amor Divino. Basta dar um passo adiante e buscá-las nos lugares certos!
E se ajudar nos dias em que a força some, deixei dois textos reunidos no Combo Motivacional, aqui mesmo no site.