Compreendendo o Papel da Fonoaudiologia no Tratamento Oncológico

Compreendendo o Papel da Fonoaudiologia no Tratamento Oncológico

fonoaudiologia desempenha um papel crucial no tratamento de pacientes oncológicos, focando principalmente em duas áreas fundamentais: comunicação e deglutição. Essas funções são vitais para a qualidade de vida, e qualquer dificuldade nelas pode ter um impacto significativo.

Nas neoplasias do sistema nervoso central, há um impacto direto no controle neurológico dos movimentos necessários para mastigar, deglutir e falar. Isso pode levar a condições como afasia, disartria, disfonia, disartrofonia e disfagia orofaríngea.

Tumores na face, orofaringe, laringe, esôfago e estômago podem alterar o transporte de alimentos ou o fluxo aéreo necessário para a fonação, resultando em disfagia por obstrução ou disfonia. Além disso, neoplasias do trato respiratório afetam a função pneumofonoarticulatória, comprometendo a proteção das vias aéreas e a qualidade vocal.

Neoplasias do trato respiratório podem alterar a função pneumofonoarticulatória, reduzindo os mecanismos de proteção das vias aéreas e alterando a qualidade da voz. Uma outra situação que frequentemente altera as funções de deglutição e comunicação é o tratamento oncológico, seja rádio ou quimioterapia, que pode cursar com xerostomia, lesões na cavidade oral, náuseas, vômitos e inapetência.

A própria astenia contribui para a lentificação dos movimentos, com fraqueza e imprecisão tanto para deglutir quanto para falar. É importante destacar que receber o diagnóstico de uma doença oncológica não é fácil, e essa jornada pode trazer momentos de apatia, tristeza, angústia, medo e desesperança, afetando o desempenho de todas as funções.

Nesse cenário, o fonoaudiólogo deve ter uma visão ampla, mapeando todas as dimensões desse sofrimento para organizar um planejamento terapêutico adequado e eficiente, respeitando a biografia e os valores do paciente e da sua família.

Entender a fase da doença, sua progressão, o prognóstico e as possibilidades terapêuticas são aspectos fundamentais. De posse dessas informações, o fonoaudiólogo deverá avaliar o desempenho e a segurança da deglutição, podendo adaptar a consistência da dieta. É importante lembrar que espessar os alimentos não é tratar a disfagia. Espessamento é um recurso terapêutico baseado numa avaliação da dinâmica da deglutição, e sua indicação sem avaliação especializada pode prejudicar ainda mais a eficiência e a segurança da via oral.

O fonoaudiólogo também pode contribuir orientando uma oferta de via oral segura, com manobras posturais protetivas e compensatórias quando necessário. Caso haja comprometimento importante e insegurança na alimentação via oral, deve-se ponderar a necessidade, os riscos, os benefícios e os reais impactos de uma via alternativa de alimentação artificial.

Outras ações incluem orientar medidas para reduzir a xerostomia, realizar estimulação e treino de deglutição e mastigação para melhorar a eficiência e segurança da via oral, avaliar a linguagem e estabelecer recursos terapêuticos para melhorar a comunicação, além de selecionar e treinar o uso de recursos e dispositivos de comunicação aumentativa.

Adaptações como válvula de fala, laringe eletrônica e próteses traqueoesofágicas são importantes quando os pacientes são submetidos a laringectomia. O fonoaudiólogo também auxilia no processo de decanulação em pacientes traqueostomizados, oportunizando a comunicação entre paciente, família e equipe, confortando e restaurando afetos através da alimentação e comunicação mais efetiva.

A atuação do fonoaudiólogo é essencial para garantir que pacientes oncológicos mantenham a melhor qualidade de vida possível durante e após o tratamento. Ao focar na comunicação eficaz e na deglutição segura não apenas ajudam a preservar funções vitais, mas também promovem o bem-estar emocional e social dos pacientes. Com uma abordagem compassiva e personalizada, a fonoaudiologia se torna uma aliada valiosa na jornada contra o câncer, oferecendo suporte contínuo e adaptado às necessidades individuais de cada paciente. Um cuidado com compaixão e respeito, trazendo conforto e dignidade para a vida até o último suspiro, é essencial.

Anelise Oliveira, Fonoaudióloga
CRFa RS 8520

Dr. Juliano Coelho
CRM/RS 34989

Disfagia, afasia, disartrofonia: se esses nomes apareceram num relatório e ninguém explicou, o Dicionário de Oncologia está aqui no site, gratuito.