Doutor, descobri que estou com câncer! E agora?

Doutor, descobri que estou com câncer! E agora?

Se você é um paciente oncológico e acabou de descobrir um câncer, tenho certeza de que este momento está com ares de ser o mais duro de toda a sua vida. Até agora. Você tenta puxar na memória, mas não consegue se lembrar de nada igual. Houve outras dores, como a perda de alguém amado, e o fim de um relacionamento do qual se esperava muito no futuro.

Ainda assim, sua sensação momentânea não encontra par. Neste instante, tudo está flutuando. Aquilo que você considerava certo e garantido sumiu num piscar de olhos. Seu abalo, inclusive, não é apenas mental, mas chega ao ponto físico da vertigem. O coração continua acelerado e a cada pensamento novo ele sofre uma nova reação de disparo. Você já chorou, eu sei! Já parou com o choro, já ficou com olhar perdido, vagueando pelo nada à procura de uma explicação para esta notícia.

Por que isso está acontecendo? Por que está acontecendo COMIGO? Não consigo entender!”. 

Você está pensando que a sua vida chegou ao fim. Nunca a morte lhe pareceu tão real, tão presente e tão ameaçadora. Se você tem filhos, você pensa nos filhos sem você. Se você tem marido, você pensa na vida dele sem você. Se você tem esposa, você pensa no que será dela na sua falta. Se você tem pais vivos, pensa na dor pesarosa de passar pela perda de um filho. E se você tem planos profissionais, pessoais e sonhos… pensa que faltará tempo para fazer deles realidade.

Tudo isso acontece junto, como uma avalanche no momento do diagnóstico, e eu não recomendo que você fuja dela. É preciso passar no meio da avalanche. Deixar que ela caia na sua cabeça: mesmo com dor e susto, é melhor viver do que postergar. É preferível deixar acontecer do que abafar as suas reações humanas e absolutamente naturais.

Mas, passado esse instante, agora, que as lágrimas já secaram um pouco… agora, que você cansou de tanto pensar e se encontra com a mente exausta… agora, que você atingiu uma pequena letargia e o corpo se equilibrou, pedindo descanso… eu venho trazer as próximas coordenadas como um médico que apareceu para ajudar.

A primeira coisa que te falarei é esta: o câncer não é como você está imaginando que ele é. Qualquer que seja a sua denominação científica e o seu local de ataque, principalmente se estiver fora de um estágio avançado, ele não é como um atestado de óbito adiantado. Portanto, não veja este diagnóstico como uma sentença de morte!

A segunda coisa que tenho para te contar é: você não faz ideia do quanto trabalhamos duro para te curar. Do quanto vamos nos empenhar para trazer a sua saúde de volta. Do quanto temos pesquisado e do quanto já conseguimos evoluir em remédios, exames, intervenções cirúrgicas e técnicas que auxiliam na melhor resposta do seu corpo.

A terceira e última coisa que tenho para te dizer é: optar pela esperança já é começar o tratamento com o pé direito e com mais chances de vencer! Não há remédio que resolva quando uma pessoa decide entregar os pontos. Quando ela mesma já desistiu da cura, da sua trajetória de vida e de estar presente para tantas coisas boas que o futuro trará. A felicidade interior, o ânimo, a força vital da alegria que vem de dentro aumenta a expectativa de vida e a sua qualidade! 

Não há câncer que possa abater uma pessoa íntegra, forte e de cabeça erguida!