A maioria das pessoas é pega de surpresa pelo diagnóstico e não sabe como se comportar perto do paciente
Que o câncer traz dor, medo e preocupações para o paciente que o descobriu, isso nós já sabemos. O que às vezes podemos nos esquecer é do quanto esta doença pode afetar também os seus arredores: a família mais próxima, os amigos de convivência e todos aqueles que se preocupam com o paciente.
Uma das coisas mais curiosas desta vida é o fato de que, embora haja sofrimento, ninguém sofre sozinho. Ninguém mesmo! Sempre existe, até no mais solitário dos casos, aquela última pessoa que, ainda que distante, ainda que em segredo, se compadece e acaba sofrendo junto com a outra em seu momento mais difícil.
Isso é tão verdade que nos traz o tema de hoje: a postura que deve tomar não o paciente oncológico, mas aquelas pessoas que com ele convivem e que a todo momento têm a boa intenção ajudá-lo.
Diz-se por aí que o mundo vai de mal a pior, e mesmo que esta frase contenha sua cota de verdade, não termina nela toda a realidade: o paciente oncológico é um dos primeiros que têm a chance de perceber e confirmar que ainda existe, no mundo, coisas como compaixão, generosidade e amor ao próximo.
No entanto, muito embora as intenções sejam realmente boas, nem sempre essas pessoas que querem formar um círculo de apoio ao paciente sabem como fazê-lo. E veja: não é culpa delas! O próprio paciente, lá no começo, diante do diagnóstico, não tem ideia de como agir ou qual passo deve tomar.
Imagine então os pais, irmãos, cônjuges, filhos e amigos dos pacientes? Eles têm a digna missão de apoiar, manter viva a esperança e trazer-lhes alívio, mas tantas vezes não fazem ideia de como pôr isto em prática. Por isso, vamos ver alguns conselhos de ouro:
Primeiro, existe uma convicção de que, diante do câncer, principalmente quando se trata de uma condição mais grave da doença, o que ajuda são as grandes ações espetaculares. Elaborados discursos de consolo, estrondosas demonstrações de amor, profundas mudanças e, de modo geral, atitudes espalhafatosas.
Um ledo engano: a primeira coisa a ser feita, na maioria dos casos, é simplesmente ouvir. Porque o paciente terá muito para falar. O que não significa que ele falará coisas brilhantes, que fazem muito sentido ou que resolverão o seu problema: na hora do diagnóstico, tomam conta das palavras os lamentos e as perguntas sem resposta.
Mesmo assim, escute sem julgamentos! Poucas coisas confortam mais do que alguém disposto a ouvir a dor humana sem apontar erros, culpas ou defeitos.
Em segundo lugar: evite palavras clichês. Se não tiver nada sincero engatilhado na mente e pronto para dizer, é melhor não dizer nada! Não tente consertar a situação usando frases irreais que não a consertam de fato -e que no fim não servem para nada: “Vai dar tudo certo”, ou ainda “Pense positivo!”.
E em terceiro lugar: escolha ser útil e presente no dia a dia daquela pessoa. O seu amor, o seu consolo e a sua ajuda serão percebidos assim: quando, nos pequenos pesos da vida diária, você estiver lá para carregá-los também. “Posso te ajudar com a limpeza da casa?”, “Posso buscar as crianças na escola?”, ou “Posso fazer um lanche para você?” são melhores demonstrações de presença e tocam muito mais do que frases do senso comum.
Com a intenção certa, e com as ações calibradas, você será a alegria daquela pessoa, mesmo em meio ao caos do tratamento! Eu te desejo boa sorte, caro companheiro, porque a sua missão é nobre.